Com a taxa Selic em 14,25% ao ano após o corte realizado pelo Copom em junho de 2026, o crédito tradicional no Brasil segue pressionando o orçamento de quem quer adquirir um bem. Nesse ambiente de juros persistentemente elevados, o consórcio volta ao centro das discussões sobre planejamento financeiro, e Tiago Oliva Schietti, empresário especialista em consórcios, representa um dos nomes associados a essa discussão.
Os dados do setor explicam o movimento: apenas no primeiro quadrimestre de 2026, o sistema de consórcios movimentou R$ 179,4 bilhões em créditos comercializados, resultado 27% superior ao mesmo período de 2025. O que está por trás desse crescimento expressivo merece análise cuidadosa.
Neste artigo, venha saber mais sobre os juros altos e taxas que o envolvem!
A Selic alta e o custo real do financiamento tradicional
Quando os juros básicos da economia sobem, o efeito sobre o financiamento bancário é imediato e direto. Bancos e instituições financeiras repassam o custo do dinheiro ao tomador, e o resultado aparece nas taxas cobradas em contratos de crédito imobiliário, crédito veicular e empréstimos em geral. Com os patamares da Selic em 2026, os juros dos financiamentos tendem a ser mais elevados, o que torna essa modalidade mais cara.
No financiamento imobiliário, por exemplo, o comprador não paga apenas os juros contratados. A correção monetária é somada aos juros, ou seja, o saldo devedor é corrigido pelo índice e, sobre esse valor, são aplicados os juros contratados. A combinação entre taxa de juros e índice de correção pode tornar o custo total do imóvel significativamente superior ao seu valor original, especialmente em contratos de longo prazo. Para Tiago Oliva Schietti, compreender o CET, o Custo Efetivo Total de uma operação, é o primeiro passo antes de assinar qualquer contrato de crédito.
Como o consórcio se posiciona nesse contexto?
O consórcio opera sob uma lógica completamente diferente da do financiamento. Não há cobrança de juros sobre o valor do crédito contratado. O participante paga uma taxa de administração, que é fixada no contrato e não oscila conforme o cenário econômico. A taxa de administração é definida no contrato e permanece constante durante o prazo do consórcio.
Enquanto o financiamento reage imediatamente à variação da Selic, o consórcio mantém sua estrutura de custos estável. Quando a Selic está alta, os juros dos financiamentos tradicionais também aumentam, tornando-os menos atrativos. Nesse cenário, os consórcios, que não possuem juros, tornam-se uma alternativa mais interessante para quem deseja adquirir um bem ou serviço de forma planejada e econômica. Tiago Oliva Schietti, especialista em financiamentos e consórcios, ressalta que a ausência de juros não é apenas uma vantagem pontual, mas uma característica estrutural que torna o produto mais previsível e controlável para o planejamento de longo prazo.
O crescimento do setor confirma a tendência
Os números da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) sustentam a leitura de que o consórcio ganhou força justamente nos períodos em que o crédito ficou mais caro. O número de consorciados ativos atingiu 12,78 milhões em janeiro de 2026, novo recorde histórico para o setor, com crescimento de 12,4% sobre os 11,37 milhões registrados em janeiro de 2025.

As projeções para o consórcio de imóveis indicam crescimento de 25% em 2026. O histórico recente sustenta essa projeção: desde 2019, a média anual de aumento tem sido de 21%. O segmento imobiliário é o que mais evidencia a diferença de custo entre as duas modalidades, justamente porque os contratos de financiamento habitacional costumam ser os mais longos e, portanto, os mais sensíveis à variação dos juros ao longo do tempo.
O setor também registrou crescimento de 16,1% nas adesões, demonstrando que mais brasileiros estão recorrendo ao consórcio como instrumento de planejamento financeiro e formação de patrimônio. Conforme analisa Tiago Oliva Schietti, esse movimento não é pontual; na verdade, ele reflete uma mudança mais profunda no comportamento financeiro dos brasileiros, que passaram a considerar o custo total da aquisição, e não apenas a facilidade de acesso imediato ao bem.
O perfil de quem escolhe o consórcio
A decisão entre consórcio e financiamento raramente é simples. Envolve perfil financeiro, urgência de uso do bem, capacidade de pagamento e objetivos de longo prazo. Quem precisa do bem de forma imediata, seja uma moradia urgente ou um veículo para trabalhar, pode encontrar no financiamento a única saída viável. A posse imediata é, de fato, a principal vantagem do crédito bancário.
Por outro lado, quem tem a possibilidade de planejar a aquisição com antecedência encontra no consórcio uma estrutura mais eficiente do ponto de vista financeiro. As parcelas são menores, o custo total é mais baixo e há a possibilidade de antecipar a contemplação por meio de lances. O consórcio funciona como uma poupança programada, com parcelas fixas e sem cobrança de juros, com apenas uma taxa de administração.
Nesse sentido, a escolha pelo consórcio está diretamente ligada à capacidade de planejar. E planejar, em um cenário de juros historicamente elevados como o de 2026, é precisamente o que faz a diferença entre acumular patrimônio e acumular dívida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
