Pesquisas indicam recorde de viajantes em destinos litorâneos, com impacto direto em empregos, comércio local e setor de hospedagem.
Quem pensa que o litoral brasileiro serve só para lazer está enganado: as praias também são um motor poderoso da economia nacional. Levantamentos recentes mostram que o turismo doméstico voltado a destinos litorâneos deve movimentar somas expressivas neste verão, beneficiando desde grandes redes hoteleiras até o pequeno comerciante de quiosque. O fenômeno levanta uma dúvida recorrente entre quem acompanha o setor: até que ponto a economia de cidades litorâneas depende, de fato, da força das suas praias?
A resposta, segundo dados de diferentes estudos, é que essa dependência é bastante significativa. Somente o turismo doméstico brasileiro deve injetar cerca de R$ 148,3 bilhões na economia neste verão, com cerca de 59 milhões de brasileiros, em torno de 35% da população, planejando viajar nas férias. O gasto médio por pessoa estimado é de R$ 2.514, uma alta expressiva em relação à temporada anterior. Boa parte desse fluxo se concentra justamente em destinos de praia, que continuam liderando as preferências dos viajantes brasileiros, segundo levantamentos do setor de hospedagem e turismo.
Como as praias sustentam a economia das cidades litorâneas?
O exemplo do Rio de Janeiro ilustra bem essa relação direta entre praia e economia local. Um estudo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, batizado de “Economia das Praias do Rio”, estima que as atividades comerciais realizadas nas areias da cidade movimentem cerca de R$ 5,1 bilhões por ano. Esse valor inclui o trabalho de ambulantes, barraqueiros e quiosques, que formam uma rede de geração de renda e emprego para milhares de famílias cariocas. A previsão da Riotur é que a cidade receba 5,7 milhões de visitantes ao longo do verão, sendo 1,2 milhão de estrangeiros, reforçando a posição do Rio como um dos principais destinos turísticos do hemisfério sul.
Esse movimento não fica restrito ao Sudeste. Em Alagoas, o turismo de praia tem ganhado força como vetor de desenvolvimento regional. Maceió e Porto de Galinhas, por exemplo, devem injetar aproximadamente R$ 150 milhões na economia local apenas com o fluxo de turistas vindos por meio de cruzeiros marítimos. O Aeroporto Zumbi dos Palmares, principal porta de entrada da capital alagoana, fechou o último ano com recorde de passageiros, superando 1,3 milhão. Para este verão, estão previstos 40 mil assentos em voos internacionais e outros 49 voos semanais em conexões domésticas, números que demonstram como a infraestrutura aérea acompanha o crescimento da demanda turística pelo litoral nordestino.
Quais destinos de praia devem se destacar economicamente neste verão?
Além dos polos já consolidados, novos destinos litorâneos vêm ganhando espaço no mapa do turismo nacional, o que ajuda a pulverizar os benefícios econômicos para além das capitais mais conhecidas. Segundo plataformas de hospedagem, o crescimento de reservas em destinos emergentes indica um turismo interno mais distribuído, o que favorece o desenvolvimento econômico local e estimula novos investimentos em infraestrutura turística. Cidades como Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e regiões do litoral norte de São Paulo, como Juquehy e Ilhabela, aparecem entre as escolhas em alta para a temporada, combinando praia, gastronomia e opções de lazer estruturadas.
O setor hoteleiro também sente esse reflexo. A diária média de hospedagem na categoria econômica já apresenta alta em relação aos anos anteriores, acompanhando o aumento geral da demanda por destinos costeiros. Esse cenário tem motivado investimentos privados relevantes, como o anúncio de um empreendimento de R$ 480 milhões da WAM Experience em Alagoas, que pretende unir hospedagem e atrações de entretenimento, e a chegada de novas redes hoteleiras internacionais a cidades como Fortaleza. Para os gestores públicos e privados do setor, transformar a visibilidade dos destinos de praia em resultados econômicos concretos passa por estratégias de promoção, ampliação da malha aérea e qualificação da experiência do turista, fatores que devem continuar moldando o desempenho do turismo litorâneo brasileiro nos próximos anos.
O turismo de praia, portanto, vai muito além do lazer: ele sustenta cadeias produtivas inteiras, da hotelaria ao pequeno comércio de orla. A tendência apontada por diferentes estudos é de que esse movimento se mantenha forte neste verão, impulsionado por um público que busca, ao mesmo tempo, economia no planejamento da viagem e experiências de qualidade no destino escolhido. Para o mercado, esse equilíbrio entre acessibilidade financeira e infraestrutura turística tende a ser o principal indicador de sucesso da temporada nas cidades litorâneas do país.
Fontes consultadas:
https://diariodorio.com/praias-limpas-ajudam-a-alavancar-movimento-de-turistas-no-rio-de-janeiro/
https://movimentoeconomico.com.br/estados/alagoas/2026/01/23/maceio-e-porto-de-galinhas-entram-em-grupo-que-vai-liderar-o-turismo-em-2026/
https://www.viagensecaminhos.com/10-destinos-baratos-no-brasil/
https://terrabrasilnoticias.com/2025/12/plataforma-revela-quais-destinos-turisticos-do-brasil-devem-bombar-em-2026-e-surpreende-viajantes/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
