Levantamentos recentes de órgãos ambientais no Rio de Janeiro, em São Paulo, na Paraíba e no Maranhão apontam trechos impróprios para banho neste mês de julho, mesmo em áreas turísticas conhecidas
Quem pretende curtir o litoral neste fim de mês de julho precisa ficar atento antes de entrar no mar. Boletins de balneabilidade divulgados por órgãos ambientais estaduais em diferentes regiões do país mostram que uma parcela significativa das praias monitoradas segue com restrição para banho, resultado de contaminação por esgoto e outros fatores que comprometem a qualidade da água. O tema costuma gerar dúvida recorrente entre banhistas: afinal, como saber se a praia escolhida está liberada, e o que muda na prática quando um trecho é classificado como impróprio? A resposta passa por entender como funciona esse monitoramento e por que ele varia tanto de uma semana para outra.
No Rio de Janeiro, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) identificou, em boletim divulgado em julho, dez praias da Zona Sul impróprias para banho, incluindo pontos de Ipanema, Copacabana, Leblon e Arpoador, mesmo durante um fim de semana de tempo firme e temperaturas próximas dos 31°C. O boletim de balneabilidade é elaborado pelo Instituto Estadual do Ambiente e serve justamente para orientar o banhista antes de arrumar a canga e ir para a areia. Em São Paulo, o cenário se repete no litoral mais próximo da capital. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) aponta que as cidades de São Vicente, Santos e Praia Grande concentram a maior parte das praias em condições impróprias para banho de mar na Baixada Santista, região que recebe grande volume de turistas vindos da capital paulista nos fins de semana. Diário do RioAgência Brasil
Por que tantas praias aparecem como impróprias, mesmo em áreas turísticas
A explicação técnica para essas interdições está ligada à presença de bactérias associadas a esgoto irregular. No caso paulista, a própria secretaria de saúde alerta que canais, rios e córregos que deságuam na praia também devem ser evitados, pois podem receber esgoto de forma irregular, e que águas contaminadas podem expor os banhistas a bactérias, vírus e protozoários causadores de doenças, sendo crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade os mais suscetíveis. Esse tipo de contaminação costuma se intensificar após chuvas, quando o volume de água carrega resíduos urbanos até a faixa de areia, o que explica por que uma praia pode estar liberada em uma semana e impedida na seguinte. Agência Brasil
Outros estados enfrentam desafio semelhante. No litoral baiano, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) mantém monitoramento contínuo e segue critérios definidos pela legislação federal: a avaliação considera, entre outros parâmetros, a concentração de Escherichia coli em amostras coletadas ao longo de cinco semanas consecutivas, classificando as águas como impróprias quando não atendem aos limites estabelecidos. Em Alagoas, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) informou que dez dos 68 trechos analisados no litoral alagoano seguem impróprios para banho, com coletas realizadas em pontos que vão do litoral sul ao litoral norte do estado. Já em São Luís, no Maranhão, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) apontou que dez de 22 pontos monitorados na Ilha do Maranhão estão fora dos padrões aceitáveis, concentrados principalmente nas praias de São Marcos e do Olho d’Água. Bahia Economica
Existe também variação positiva digna de nota, o que reforça que a situação não é uniforme em todo o litoral. Na Paraíba, a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) informou que apenas seis trechos da costa estavam impróprios em levantamento válido até 31 de julho, resultado considerado favorável para os padrões da região. Ainda assim, a Marinha do Brasil emitiu alerta de mar grosso para o litoral paraibano e para outros estados do Nordeste, com ondas que podem atingir até 3,5 metros em áreas de mar aberto, exigindo atenção especial de pescadores, esportistas e embarcações de pequeno porte. Esse tipo de aviso reforça que balneabilidade e segurança no mar são questões distintas, e que o banhista precisa observar as duas informações antes de decidir entrar na água. PB AGORA
Como consultar o boletim antes de ir para a praia
A boa notícia é que praticamente todos os estados litorâneos disponibilizam essas informações de forma pública e gratuita, geralmente atualizadas semanalmente. Em São Paulo, por exemplo, a Cetesb mantém um mapa interativo em seu site oficial e também disponibiliza aplicativo para Android e iOS, ferramentas que permitem verificar a classificação de cada praia antes de sair de casa. O mesmo padrão se repete em estados como Alagoas, Paraíba e Bahia, onde os institutos ambientais divulgam boletins periódicos com validade de cerca de uma semana, sempre seguidos por nova coleta de amostras.
Vale reforçar que a classificação de impróprio costuma valer apenas para um trecho específico da praia, geralmente uma faixa de cem metros a partir do ponto de coleta, e não para a extensão inteira. Isso significa que, em muitos casos, é possível encontrar um pedaço de areia liberado a poucos metros de um ponto interditado, desde que o banhista confira exatamente qual coordenada está sendo restringida. Consultar o boletim antes da viagem, portanto, evita tanto o risco à saúde quanto o transtorno de descobrir a interdição já na beira do mar.
Para quem viaja para o litoral nas próximas semanas, o recomendado é sempre checar o canal oficial do órgão ambiental do estado de destino, já que cada instituto tem frequência própria de atualização e nomenclatura ligeiramente diferente para os pontos monitorados. Om casos de dúvida, as prefeituras costumas afixar placas de sinalização na própria orla, reforçando visualmente o que já consta no boletim eletrônico.
Fontes consultadas: Diário do Rio de Janeiro, Agência Brasil, Bahia Econômica, Alagoas 24 Horas, Imirante, Blog do BG PB, PB Agora
