A transformação do esporte em atividade empresarial trouxe novas exigências de organização, transparência e conformidade fiscal. Victor Boris Santos Maciel, CEO da VM Associados, tributarista e consultor empresarial, observa que a criação da SAF e a evolução da reforma tributária colocaram o setor em um novo patamar de responsabilidade. Neste artigo, serão analisados os motivos que levaram o esporte ao centro do debate tributário, as mudanças nas bases de cálculo, os riscos associados à falta de planejamento e a importância de decisões orientadas por dados.
- Como a tributação chegou ao esporte e por que isso se intensificou com a SAF?
- Por que a base de cálculo é um dos pontos mais sensíveis na tributação do esporte?
- O que muda com a reforma tributária e como isso afeta o caixa das SAFs?
- Quem pode ser mais impactado pela tributação no ecossistema esportivo?
- Como estruturar um planejamento tributário sustentável para o esporte profissional?
Como a tributação chegou ao esporte e por que isso se intensificou com a SAF?
A tributação no esporte se intensificou à medida que clubes passaram a adotar estruturas empresariais mais formais, especialmente com o surgimento da SAF. Victor Boris Santos Maciel explica que esse modelo trouxe maior profissionalização, atração de investimentos e necessidade de prestação de contas mais rigorosa. Com isso, o fisco passou a enxergar o setor como atividade econômica relevante, sujeita às mesmas regras aplicáveis a outras empresas.

Além disso, o crescimento das receitas provenientes de direitos de transmissão, patrocínios e transferências de atletas ampliou a atenção sobre o setor. Esse movimento era inevitável, pois a formalização exige alinhamento entre gestão esportiva e gestão tributária. A ausência desse alinhamento pode gerar passivos significativos e comprometer a viabilidade do projeto no médio prazo.
Por que a base de cálculo é um dos pontos mais sensíveis na tributação do esporte?
A definição da base de cálculo é um dos aspectos mais críticos na tributação aplicada ao esporte e à SAF. Dependendo do regime adotado, a incidência pode ocorrer sobre a receita bruta ou sobre o resultado, gerando impactos muito distintos na carga tributária efetiva. Essa escolha influencia diretamente a previsibilidade financeira do clube ou da empresa esportiva.
Quando a base é ampliada, mesmo operações com margens reduzidas podem gerar obrigações relevantes. Isso exige controle rigoroso das receitas e despesas, além de planejamento prévio. Tal como alude o consultor em gestão e resultados empresariais, Victor Boris Santos Maciel, ignorar a lógica da base de cálculo é um erro comum que pode transformar o crescimento de faturamento em fragilidade financeira, especialmente em estruturas que ainda estão em fase de consolidação.
O que muda com a reforma tributária e como isso afeta o caixa das SAFs?
A reforma tributária introduz novos conceitos que afetam diretamente o fluxo de caixa das SAFs, como a unificação de tributos sobre consumo e a ampliação da incidência em determinadas operações. Essas mudanças exigem adaptação dos controles internos e revisão de contratos e modelos de negócio.
O impacto no caixa não ocorre apenas pelo valor do tributo, mas pelo momento da incidência e pela necessidade de maior organização operacional. Para Victor Boris Santos Maciel, a principal dificuldade está em antecipar esses efeitos e ajustar a gestão financeira antes que eles se materializem. SAFs que não se preparam tendem a enfrentar desequilíbrios e perda de capacidade de investimento.
Quem pode ser mais impactado pela tributação no ecossistema esportivo?
Os impactos da tributação não recaem apenas sobre clubes e SAFs. Victor Boris Santos Maciel expressa que os investidores, patrocinadores, parceiros comerciais e prestadores de serviço também podem ser afetados de forma indireta. A elevação da carga ou a mudança de regime tende a se refletir em contratos, preços e negociações.
Esse efeito em cadeia reforça a necessidade de análise sistêmica do ecossistema esportivo. Compreender quem absorve o custo tributário é fundamental para evitar surpresas e conflitos contratuais. A falta de clareza sobre esses impactos pode comprometer relações estratégicas e reduzir a atratividade do setor para novos investimentos.
Como estruturar um planejamento tributário sustentável para o esporte profissional?
O planejamento tributário no esporte profissional deve partir de uma visão integrada entre gestão financeira, governança e estratégia de longo prazo. Não se trata apenas de reduzir tributos, mas de criar previsibilidade e segurança jurídica. A organização de dados, a simulação de cenários e o acompanhamento constante da legislação são etapas essenciais.
Estruturas bem planejadas conseguem atravessar períodos de mudança com menor impacto e maior estabilidade. O CEO da VM Associados, Victor Boris Santos Maciel conclui que, em um ambiente cada vez mais regulado, o diferencial competitivo está na capacidade de antecipação. Assim, o planejamento tributário se torna um pilar da sustentabilidade do esporte profissional, protegendo resultados e garantindo continuidade dos projetos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
